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Fátima Lopes.
- Publicação
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- Janeiro 12, 2025 às 5:07 pm
“Eis uma maneira de ver a cultura: a Terra é povoada por grupos humanos cuja coesão resulta de práticas partilhadas. Cada uma destas culturas, com os seus diferentes costumes e artes, pertence às pessoas que nela nasceram, e todas têm de ser defendidas contra interferências exteriores. Esta visão assume que a cultura é uma forma de propriedade, que a cultura pertence às pessoas que a vivem.
Uma vantagem desta perspetiva é encorajar as pessoas a valorizar a sua herança; também lhes dá recursos para a defenderem, como quando os museus são pressionados a devolver aos legítimos proprietários objetos adquiridos em circunstâncias dúbias. A assunção de que a cultura pode ser uma posse é apoiada por uma ampla coligação de defensores, incluindo nativistas investidos nas suas tradições nacionais e aqueles que esperam pôr cobro à apropriação cultural declarando a cultura de um dado grupo interdita a estranhos.”
Outra visão da cultura, esta não é feita apenas dos recursos de uma comunidade, mas também de encontros com outras culturas.
Forja-se não só a partir de experiências individuais vividas, mas também de formas e ideias importadas que ajudam os indivíduos a compreender e a expressar as suas experiências de maneiras novas.
“Quando vistas através das lentes da cultura como propriedade, estas figuras podem parecer intrusos, expropriadores e até ladrões. Mas elas continuaram a fazer o seu trabalho com humildade e dedicação, porque intuíram que a cultura evolui através da circulação; sabiam que as falsas ideias de propriedade e posse impõem limites e constrangimentos conducentes a formas de expressão empobrecidas.”Em “ Cultura” a visão de cultura emerge de uma visão de influências remotas, reunidas através do contacto; de inovação impulsionada pela restauração de tradições desfeitas a partir de cacos recuperados. As figuras que promoveram esta visão foram muitas vezes desconhecidas, e algumas continuam ainda hoje ignoradas. O que podemos aprender é que, se queremos limitar o turismo explorador, evitar o uso desrespeitoso de outras culturas e proteger tradições sujeitas a ataque, precisamos de encontrar uma outra linguagem que não seja a da posse e da propriedade, uma linguagem mais adequada à maneira como a cultura verdadeiramente funciona.
Do trabalho destes criadores emerge uma nova história da cultura, uma história de compromissos através das barreiras do tempo e do lugar, de conexões surpreendentes e de influências subrerrâneas.
“Nem sempre é uma história bonita, e não deve ser apresentada como tal, mas é a única que temos: a história dos humanos como uma espécie produtora de cultura. A história de todos nós.”“Cultura” UMA NOVA HISTÓRIA DO MUNDO Martin Puchner – publicação de Temas e Debates / 2024
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