O desenvolvimento de um país ou região não acontece de forma centralizada. Não se pode conceber um território nem compreender a sua realidade a partir de núcleos fechados e elitistas, onde apenas alguns têm voz.
Por mais difícil que seja admitir, o progresso e o desenvolvimento de um país estão profundamente ligados ao crescimento das suas regiões e comunidades. Pode-se dizer que é para as comunidades e em comunidade que o desenvolvimento se torna verdadeiramente significativo.
Hoje, mais do que nunca, ouvimos o termo “sustentabilidade” e associamo-lo imediatamente a natureza, ambiente e ecossistemas. No entanto, desde a década de 1980, o conceito de desenvolvimento sustentável na Economia é muito mais amplo e abrangente. A sustentabilidade assenta em três pilares fundamentais, todos de igual importância: o pilar social, o pilar económico e o pilar ambiental.
É essencial refletir sobre este conceito, que pode ser resumido numa ideia simples: o desenvolvimento só ocorre quando os três pilares progridem em conjunto e de forma integrada.
Avaliar cada um dos pilares, decompondo-os em camadas distintas, é um exercício fundamental, mas ainda mais importante é alcançar uma visão holística, reconhecendo que o desenvolvimento é, por natureza, dinâmico.
É neste processo de análise e síntese que uma equipa deve trabalhar: de forma complementar, multidisciplinar e em sintonia, promovendo um desenvolvimento simultâneo e equilibrado. São necessárias equipas que não temam o contraditório e que não se limitem a dizer o que alguns querem ouvir, mas que tragam visões diversas e fundamentadas. Tal como numa orquestra, que necessita de um maestro para manter a harmonia, os planos de desenvolvimento só funcionam com líderes competentes, com experiência de vida, capacidade para trabalhar em equipa e espírito de liderança.
Mais do que a competência técnica, o fator crítico para qualquer coordenador de desenvolvimento sustentável reside nas suas soft skills. Entre as mais importantes, destacam-se a capacidade de coordenação, a visão estratégica, o sentido crítico, a humildade intelectual e a liderança.
Bons líderes não se fabricam; a visão estratégica só se ganha com vivência e estudo.
Voltando à minha premissa inicial, se o desenvolvimento deve ocorrer, em primeiro lugar, em comunidade, então é com as comunidades que devemos planear o futuro de cada região, sob a orientação de líderes capazes e competentes.
Juliana Catarino