A Estratégia Digital Nacional: Um Roteiro para o Futuro Digital de Portugal

  • Publicação
    Nuno Laranjo
    Moderador
    Em dezembro de 2024, foi apresentada a mais recente versão da Estratégia Digital Nacional (EDN)*, um plano ambicioso que traça o caminho para que Portugal se afirme como uma referência europeia no domínio do digital. Estruturada em quatro dimensões — Pessoas, Empresas, Estado e Infraestruturas —, a EDN procura não apenas integrar a tecnologia na sociedade portuguesa, mas também garantir que esta transformação seja inclusiva, ética e sustentável.

    Os Pilares da Estratégia

    No centro deste documento encontra-se uma visão de futuro assente em princípios fundamentais como a confiança e transparência, inclusão e igualdade, eficiência e colaboração. Estes princípios não são apenas diretrizes abstratas, mas traduzem-se em metas concretas a alcançar até 2030.

    Entre os objetivos destacam-se o aumento das competências digitais da população, a modernização das PME e a transformação da Administração Pública para oferecer serviços mais simples e acessíveis. Por exemplo, a EDN propõe que 90% das PME atinjam pelo menos um nível básico de intensidade digital e que 75% das empresas adotem ferramentas de Inteligência Artificial. Na dimensão das Pessoas, o foco está em garantir que 80% da população possua competências digitais básicas, um desafio especialmente relevante num país onde ainda existem desigualdades significativas nesse campo.

    As Ações e as Iniciativas da EDN

    Para concretizar esta visão ambiciosa, a EDN apresenta 49 ações concretas, organizadas em 16 iniciativas estratégicas que abrangem diferentes áreas de intervenção. Estas iniciativas incluem:

    Competências no Digital, para promover a literacia digital em todas as faixas etárias, fomentando a inclusão e a igualdade de oportunidades.

    Jornada Digital para as PME, um programa que apoia as pequenas e médias empresas na sua transformação digital, capacitando-as para enfrentar os desafios do mercado.

    Participação Cívica através do Digital, que visa aproximar os cidadãos dos processos de decisão pública através de plataformas inclusivas e acessíveis.

    Nação Digital e Inteligente, com soluções inovadoras para a gestão eficiente de territórios, promovendo a coesão territorial e o desenvolvimento sustentável.

     

    Estas iniciativas não só pretendem responder a desafios nacionais, mas também abrir espaço para que as comunidades locais adaptem e personalizem as ações às suas realidades específicas.

    Um Desafio e uma Oportunidade

    A implementação das ações da EDN exige uma colaboração efetiva entre o Governo, as autarquias, as empresas e a sociedade civil, sendo fundamental que cada município encontre o seu papel neste esforço coletivo.

    Para concelhos como o de Cantanhede, como podem estas iniciativas ser adaptadas às suas especificidades locais, de forma a promover a inclusão digital, fortalecer as PME e modernizar os serviços públicos? Fica a questão para reflexão e debate futuro no Fórum Democrático.

     

    * https://digital.gov.pt/documentos/estrategia-digital-nacional

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  • Respostas
    Digitextus
    Participante
    1. Adaptação das iniciativas da EDN em Cantanhede

    Para que Cantanhede possa adaptar as iniciativas da EDN às suas necessidades locais, uma das soluções é aumentar a oferta formativa nas instituições de ensino, tanto para jovens como para adultos, com especial foco nas áreas das tecnologias de informação. Esta abordagem permitiria aproveitar o conhecimento dos professores especializados para ajudar a população a lidar com as tecnologias emergentes, promovendo uma transformação digital inclusiva e fortalecendo as competências locais.

     

    1. Incentivos para as PME adotarem ferramentas digitais e IA

    Embora tenhas manifestado dúvidas sobre este ponto, uma sugestão é desenvolver programas de apoio e consultoria digital especificamente direcionados às PME. Estes programas podem incluir:

    Subsídios ou incentivos fiscais: Para facilitar a aquisição e implementação de ferramentas digitais e soluções de inteligência artificial.

    Workshops e formações práticas: Organizados em colaboração com universidades e centros tecnológicos, onde se apresentem casos de sucesso e benefícios concretos da digitalização.

    Parcerias estratégicas: Entre o município, empresas tecnológicas e instituições de ensino, criando uma rede de apoio que partilhe boas práticas e fomente a inovação.

     

    1. Desafios na implementação da EDN a nível local

    Um dos principais desafios é a resistência à mudança e a lacuna de competências digitais entre a população. Isto está diretamente relacionado com a necessidade de uma maior oferta formativa, como já referido na questão 1. Além disso, as restrições orçamentárias e a falta de uma infraestrutura de apoio à inovação podem dificultar a implementação. Para superar estes desafios, é fundamental:

    Estabelecer parcerias público-privadas: Que permitam angariar recursos e expertises complementares.

    Criar centros de inovação locais: Que funcionem como hubs de formação e experimentação, aproximando a comunidade dos avanços tecnológicos.

     

    1. O papel das escolas e instituições de ensino

    As escolas e instituições de ensino são pilares na capacitação digital da população. Ao integrar competências digitais no currículo e promover iniciativas práticas, estas instituições não só preparam os jovens para o mundo digital, mas também asseguram que estes desenvolvam um pensamento crítico e habilidades fundamentais que vão além da simples utilização de tecnologia. Isto é essencial para garantir que a transformação digital não se traduza numa dependência excessiva da IA, mas sim num uso consciente e equilibrado.

     

    1. Equilíbrio entre digitalização e competências analógicas

    Manter um equilíbrio entre a digitalização e o desenvolvimento de competências analógicas é um desafio significativo. A dependência excessiva da IA pode levar a uma perda de habilidades práticas e de um pensamento crítico, especialmente entre os jovens. Para evitar este cenário, é necessário:

    Promover uma educação crítica: Que ensine os jovens a utilizar as ferramentas digitais como apoio, e não como substitutas do raciocínio e da resolução de problemas.

    Incentivar projetos práticos: Onde os alunos possam experimentar a resolução de problemas de forma autónoma, utilizando a tecnologia apenas como ferramenta de suporte.

    Sensibilizar para os riscos do uso indiscriminado: De forma a criar uma cultura de utilização equilibrada e consciente da IA.

    • Esta resposta foi modificada há 10 meses, 4 semanas por Digitextus.
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    Licas
    Participante
    As formações ministradas pelos centros de formação, regra geral, obedecem a critérios. Contudo, os centros têm autonomia para abrir cursos de formação nestas áreas? Ou há impedimentos, como por exemplo, os quilómetros no raio de acção?

    Mas esse seria um bom ponto de partida. Nomeadamente para se aprender também sobre a criação/disseminação de notícias falsas.
    Para mim, tenho a IA como uma espécie de “lixeira” do que está na internet. Sendo que, se não soubermos exactamente aquilo que queremos ver respondido, corremos o risco de navegar na mayonese e não saber distinguir o facto do “meme”.
    No referente a Cantanhede município, não sei se as Tardes Comunitárias já fizeram alguma abordagem ao assunto.

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